A vereadora Enfermeira Nazaré (PSOL) manifestou pesar e apresentou condolências às famílias das nove pessoas que foram encontradas mortas em um barco à deriva na costa do Pará. O episódio serviu de exemplo para que a vereadora abordasse a questão da imigração. “Ninguém abandona seu país, sua terra natal, só porque quer. Pessoas que fazem isso estão em busca de melhorias. Judeus, há milhares de anos, foram em busca da terra prometida. E assim fazem, atualmente, milhares de outras pessoas, todos os dias”, ilustrou. Nazaré pediu que a Funpapa dê mais atenção aos imigrantes que sobrevivem e vêm morar em Belém, como os venezuelanos.

No dia 13 de abril, pescadores encontraram um barco sem motor nem leme, à deriva no litoral nordeste do estado, na altura da baía de Maiaú e perto da ilha de Canelas, em Bragança. A bordo havia oito corpos e mais um boiando às proximidades, 25 capas de chuva, 27 telefones celulares e objetos diversos. Analisando essas informações Nazaré concluiu que no barco estavam inicialmente 27 pessoas, provavelmente imigrantes, que foram sendo jogados ao mar a medida que faleciam.

A imigração, como salientou Nazaré, é um direito humano básico, assim como o acolhimento. “Aqui em Belém temos vários venezuelanos e africanos”, lembrou, lamentando as condições enfrentadas por essas pessoas, que incluem discriminações, vulnerabilidade social e doenças. “Acolhimento é dar condições de sobrevivência digna a quem sai do seu país e vem para o nosso”, disse a vereadora.

“Falamos bastante que brasileiros sofrem xenofobia em Portugal e na França, entre outros países. E venezuelanos sofrem xenofobia aqui, em Belém. A partir do momento em que não são bem recebidos e não têm abrigo digno, condições de alimentação e qualidade de vida isso é xenofobia”, afirmou Nazaré. Para ela, é necessário que o poder público encare a situação dos imigrantes em Belém e que sejam tratados com seriedade e cuidado temas como o das mulheres venezuelanas que pedem ajuda em sinais de transito ou em bares, na madrugada, invariavelmente acompanhadas por crianças.

Para Matheus Cavalcante (Podemos) a responsabilidade pela situação dos venezuelanos é do governo de esquerda da Venezuela e da administração de Belém, que estaria tratando esses imigrantes com descaso. Gleisson Oliveira (PSB) rebateu dizendo que o problema dos venezuelanos em Belém começou na administração anterior a de Edmilson Rodrigues, quando o prefeito era Zenaldo Coutinho, e que testemunhou a dificuldade deles em se adaptar à cultura, costumes e práticas brasileiros, sobretudo em relação à alimentação.

Texto: Socorro Gomes
Fotos: Renan Alvares/SERFO-DICOS

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